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14 setembro 2025

Swallow the Sun — Woven into Sorrow

 


Blinded by the dark

I stared into the eyes and turned into

The one


And I became the one

The chain I drag behind

The one


I vowed I wouldn't give in

But here I stand alone, before the one

The one


I swore I wouldn't give in

But all I have is you, the one

The one


I'm broken from the one

Woven into sorrow

I'm blind, but still, you love


So I became the one

The stone I carved inside

On an isle of time

The one


The soul I left behind

So pale, out through time

The fallen one

The one


I'm broken from the one

Woven into sorrow

I'm blind, but still, you love


From the heart of wonder

Woven into sorrow

I'm blind, and still, you love


The light that pierces through broken skies

Lay your eyes upon me

And find this pain, this grave where I hide

And lift me back to you


I'm woven into sorrow

I'm woven into sorrow

My eyes can't see

I'm woven into sorrow

I'm woven into sorrow


I'm broken from the one

Woven into sorrow

I'm blind, but still, you love


From the heart of wonder

Laid now six feet under

I'm blind, and still, you love


I'm woven into sorrow


I'm woven into sorrow


I'm woven into sorrow


I'm woven into sorrow

21 julho 2025

Spinoza — Machado de Assis


 Gosto de ver-te, grave e solitário,

Sob o fumo de esquálida candeia,

Nas mãos a ferramenta de operário,

E na cabeça a coruscante ideia.


E enquanto o pensamento delineia

Uma filosofia, o pão diário

A tua mão a labutar granjeia

E achas na independência o teu salário.


Soem cá fora agitações e lutas,

Sibile o bafo aspérrimo do inverno,

Tu trabalhas, tu pensas, e executas


Sóbrio, tranquilo, desvelado e terno,

A lei comum, e morres, e transmutas

O suado labor no prêmio eterno.


— Machado de Assis

12 maio 2025

O Jardim — H. P. Lovercraft

 


Existe um jardim antigo com o qual às vezes sonho,

sobre o qual o sol de maio despeja um brilho tristonho;

onde as flores mais vistosas perderam a cor, secaram;

e as paredes e as colunas são idéias que passaram.


Crescem heras de entre as fendas, e o matagal desgrenhado

sufoca a pérgula, e o tanque foi pelo musgo tomado.

Pelas áleas silenciosas vê-se a erva esparsa brotar,

e o odor mofado de coisas mortas se derrama no ar.


Não há nenhuma criatura viva no espaço ao redor,

e entre a quietude das cercas não se ouve qualquer rumor.

E, enquanto ando, observo, escuto, uma ânsia às vezes me invade

de saber quando é que vi tal jardim numa outra idade.


A visão de dias idos em mim ressurge e demora,

quando olho as cenas cinzentas que sinto ter visto outrora.

E, de tristeza, estremeço ao ver que essas flores são

minhas esperanças murchas – e o jardim, meu coração.


— H. P. Lovercraft

21 março 2024

Metade — Oswaldo Montenegro


Que a força do medo que tenho

Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito

Não me tape os ouvidos e a boca

Porque metade de mim é o que eu grito

Mas a outra metade é silêncio


Que a música que ouço ao longe

Seja linda ainda que tristeza

Que a mulher que amo seja pra sempre amada

Mesmo que distante

Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade


Que as palavras que eu falo

Não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor

Apenas respeitadas como a única coisa

Que resta a um homem inundado de sentimentos

Porque metade de mim é o que ouço

Mas a outra metade é o que calo


Que essa minha vontade de ir embora

Se transforme na calma e na paz que mereço

Que essa tensão que me corrói por dentro

Seja um dia recompensada

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso

Que eu me lembro ter dado na infância

Porque metade de mim é a lembrança do que fui

Mas a outra metade, não sei


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria

Pra me fazer aquietar o espírito

E que o teu silêncio me fale cada vez mais

Porque metade de mim é abrigo

Mas a outra metade é cansaço


Que a arte nos aponte uma resposta

Mesmo que ela não saiba

E que ninguém a tente complicar

Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer

Porque metade de mim é plateia

A outra metade é canção

E que a minha loucura seja perdoada

Porque metade de mim é amor

E a outra metade também

27 dezembro 2022

The sedative

 


More than annoyed. Sad.

More than sad. Unhappy.

More than unhappy. Suffering.

More than suffering. Abandoned.

More than abandoned. Alone in the world.

More than alone. Exiled.

More than exiled. Dead.

More than dead. Forgotten.


"The Sedative" (1917), by Marie Laurencin

21 outubro 2018

Trees of eternity — Hour of the nightingale


Weep
Not for martyrs
Raise your head
Saline waters
Won't raise the dead
Grief will haunt those who forget
That night is not the end
Embrace this
As a nightingale in song
In the darkest hour of shadows she belongs
Her voice reflects the colours of dawn.

Raise
Not a fortress
To protect
From what the waters
Might reflect
Grief will wash those
Who caress
The night
As though its theirs…
Embrace this
As a nightingale in song
In the darkest hour of shadows she belongs
Her voice reflects the colours of dawn.

There's an ocean of despair
Where the road must end
All souls must pass there
For what is broken to mend
On an island I will wait…
For you to raise.

Embrace this
As a nightingale in song
In the darkest hour of shadows she belongs
Her voice reflects the colours of dawn

It pierces like an arrow through a storm.