Ao sentir da mordida,
a esperança da vida
se esvaía...
O homem jazia
entre o respirar
e o não.
No findar
do sussurro,
a vampira:
— Seus sonhos,
desejos, anseios,
quedam-se em ruínas.
(Onde a luz então?)
Com o receber do sangue:
— Homem, erga-se
do chão.
†
— Olhe a lua...
Ela não é linda?
Embevecida,
a vampira
vermelho-sorria.
— Sangue...
O apanágio
da humanidade.
O vampiro
em silêncio.
(Saudades
de um coração
que não bate?)
— Venha, que
mostrarei a
escuridão.
†
O mundo em
tons negros.
— Alma em degredo,
ouça os sussurros.
O vampiro fechou os olhos...
(Os anjos estão mortos.)
O altar vazio.
— Que o frio da pele
doe a sensação leve,
antes do beijo.
Lábios que
sorvem a vida,
o que seria.
(Vãs desejos...)
(Esperanças tépidas...)
— Querido,
no caminho das eras,
abrace a noite.
†
Mais uma vez,
a lua por companhia.
— Amante do sangue,
nada será como antes.
— Agora, solitário
deve ser
seu caminhar.
(O pálido luminar
sem reflexo
nos olhos sem brilho.)
†
O vampiro, estranho
peregrino.
No infinito
dos crepúsculos,
nunca a luz do dia.
Herdeiro da agonia,
homem forte do abismo.
No sem-fim das trevas,
além das lágrimas, viver.
Imortal ser,
vencer a própria morte.
(A sorte do tolo?)
†
Enquanto dorme
o mundo, o vampiro
sorve o profundo de si —
Soturno, calado.
Ninguém ao lado.
(Nosferatu?)
O réquiem
do Umbral.
(Eu sou o mal?)
A morte, tal qual.
(Não!)
No fim,
a vida nas mãos.
†
Assassino, o peso
das almas no abismo.
Caveiras nas estrelas.
(Onde a luz de cometa no coração?)
†
Ao longe, um peregrino
observava o vampiro.
O homem de capuz
ergueu o olhar
ao céu castanho-universo.
Um suspiro:
"Ah, vampiro...
Além da luz do dia,
a maior poesia
vem do Amor."
"Não estão sós aqueles que amam."
†









