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12 maio 2025

O Jardim — H. P. Lovercraft

 


Existe um jardim antigo com o qual às vezes sonho,

sobre o qual o sol de maio despeja um brilho tristonho;

onde as flores mais vistosas perderam a cor, secaram;

e as paredes e as colunas são idéias que passaram.


Crescem heras de entre as fendas, e o matagal desgrenhado

sufoca a pérgula, e o tanque foi pelo musgo tomado.

Pelas áleas silenciosas vê-se a erva esparsa brotar,

e o odor mofado de coisas mortas se derrama no ar.


Não há nenhuma criatura viva no espaço ao redor,

e entre a quietude das cercas não se ouve qualquer rumor.

E, enquanto ando, observo, escuto, uma ânsia às vezes me invade

de saber quando é que vi tal jardim numa outra idade.


A visão de dias idos em mim ressurge e demora,

quando olho as cenas cinzentas que sinto ter visto outrora.

E, de tristeza, estremeço ao ver que essas flores são

minhas esperanças murchas – e o jardim, meu coração.


— H. P. Lovercraft