28 junho 2014
21 junho 2014
15 junho 2014
"Os céus estão vazios."
Longa viagem no terreno umbroso.
Junto, o sem-som de si.
De cor parda o sol(?)
sob névoa e lodo.
Por que estava ali?
Resgate...
Sua missão: combater,
buscar, escrever.
Por quantos abismos descera?
Não saberia dizer.
Os seres que contemplara —
deformados de ódio,
com medo do degredo —,
rosnavam profanos.
Humanos?
Viventes do escuro,
os sussurros do mundo
não lhes chegavam mais.
†
O peregrino volitando sobre o rio.
Mesmo sem luz,
reflexo deturpado —
também era sombra.
Encontrou novamente o palhaço,
que lhe riu.
E tossiu.
E caiu.
†
No Estige, cadáveres-almas.
Não, nunca águas calmas —
mas o barqueiro não se importou,
tampouco importunou.
O peregrino ofereceu a mão,
diante de um que com os braços pedia.
O abismo refletia-se em seu olhar,
e nunca a luz do dia...
O vento lamentava seu ouvido,
junto com o toque gelado do morto-vivo.
Logo, voando sob as nuvens, ouviu:
— "Anjo de asas de corvo, sou um estorvo?"
— Não. Do contrário, não te daria a mão.
— "Então por que o buraco negro?"
— Veio por seus próprios medos.
— "Mas eu não..." —
— Cala-te! Voe. Apenas voe.
†
Tanta penumbra,
desesperança.
O negar do coração
fazia a dor nascer.
Só restava sofrer?
— Não...
Era peregrino,
guerreiro-poeta.
Não vítima,
não ovelha, não mártir.
Sua missão:
Voar, olhar, lutar, partir.
Ajudar, defender.
Era sua missão, de corpo,
alma, coração.
Era seu juramento,
por esta noite,
e por todas que virão.
Era justiça, não juiz.
Era carne, espírito,
humano destino.
Mas, acima de tudo...
era soturno, sozinho,
com o coração longe dali.
Voar, olhar, lutar, partir.
Amar.
†
Mais tarde, ainda e sempre, o mundo escuro.
Sentado, o errante guardava silêncio,
embora não de calvário.
A noite em mil cores, todas negras.
O pensamento em sussurro,
como um réquiem mudo.
Suspirou.
— Saudade.
De repente:
— Amante das sombras, que faz aqui?
Era a mãe negra, Kali.
— Senhora do Universo, por que vem perto?
— Estou apenas o infinito a olhar.
Por momentos, parou a contemplá-la.
Balangava um colar de crânios,
tantos mais quanto os seis braços.
Corpo azul-sombrio,
olhar feroz e frio.
Destruidora da maldade,
cabelos revoltos de beldade.
Não introspecção: atividade.
Não se sentou ao lado a divindade.
Disse o caminhante:
— Esta noite, a lua não brilha.
— O céu está vazio — ela sorriu.
O peregrino arregalou o olhar,
procurando com o coração.
— Não adianta. Não vai encontrar.
— Não está lá.
Olhar triste para o vazio:
— Sumiu, tal qual um suspiro?
— Peregrino. Ante o silêncio
e a solidão dos seres, o infinito
não fica silente.
Em seu amor, que também é prazer,
as estrelas, cometas vêm
também descer até aqui.
— Vêm de mais além, obedecendo
ao bem querer daqueles que chamam.
Sonho é a alma querendo.
Ele tudo ouviu em silêncio de conforto.
Pensou em estrela de preciosa beleza.
Vinda das eras,
amada pelo que era.
Então abaixou a cabeça,
cerrou os olhos,
sorrindo com o profundo de si.
— Kali, estou contente que tenha vindo.
Ela, em seu modo majestoso, nunca sutil,
também sorriu.
— Os céus estão vazios.
†
11 junho 2014
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