31 outubro 2013
30 outubro 2013
Sussurros #1
Tenho medo do sono, o túnel que me esconde,
Cheio de vago horror, levando não sei aonde;
Do infinito à janela, eu gozo os cruéis prazeres.
E meu espírito, ébrio afeito ao desvario,
Ao nada inveja a insensibilidade e o frio.
— Baudelaire, "O abismo"
(tradução de Ivan Junqueira)
25 outubro 2013
08 outubro 2013
Sussurros ocultos — final
Acompanhe a parte 1.
†
Noite sem estrelas.
O peregrino quieto num canto, querendo voar.
O peito doendo, a alma sem pensar.
O vento em silêncio, silêncio...
Nenhuma palavra em pena escrita, sons da alma, mudas alegrias desditas.
Imaginou as constelações, meditou com o olhar.
O corpo gritou, transbordando vontade de volitar.
A ânsia de entender a cada respiração o mistério da vida batendo no coração.
O frio das distâncias e a pedra a machucar.
E então, o brilho nos olhos e sorriso nos lábios abriram a sintonia para algo a mais.
Ele voou em silêncio.
Seus gestos, a única linguagem:
— Ó, Astréia de Virgem, coroe minha viagem.
Sem resposta dos céus, sozinho, sem estrelas, o peregrino quis descer.
Mas abriu a alma e — êxtase — o conforto de um crepúsculo a lhe envolver.
A força de seu coração acordou estrelas.
Lembrou-se de seu caminho: a Francesa, a sereia, a fada do gelo, almas viajantes. Um anjo da luxúria.
— Nada é como antes.
Passos nas areias, muro, palácio, o portão fechado.
A flor do deserto, respirando no jardim.
— Tudo faz parte de mim.
Mesmo assim, nas alturas, o coração voltou a doer.
A essência querendo dizer:
— Dama etérea, recebe meu beijo. Venha fazer parte de mim.
Não havia glória na trajetória do peregrino para dividir.
Mas volitar no infinito nas vezes em que o sono lhe fazia abrigo:
— Ah, como queria que estivesse ali...
Os momentos que passou, as estrelas que viu, não saberia descrever.
†
Abriu os olhos.
Era um sonho.
O errante quis ficar tristonho.
A fonte daquele lugar ainda murmurava suas águas.
Igual ao seu coração.
Sede e silêncio de lábio e mente.
O peregrino, somente.
De volta o breu.
Expressão de saudade. O fogo queimando nos archotes.
— Tenho que seguir o que me revela o norte.
— Agora você entendeu — surgiu a fada, e sorriu. — Compreendeu o prazer de corpo e mente e coração.
Continuou:
— Engana-se em se achar solitário, meu perdido. A dama etérea está em seu silêncio, e faz parte de sua essência, corpo, alma, coração.
O peregrino sentiu o corpo queimar de prazer, alegria e vontades.
No céu, as estrelas voltaram a brilhar com saudade.
Disse, por fim, o anjo da luxúria.
— Agora, você deve seguir.
†
Não havia glória na trajetória do peregrino para dividir.
Mas volitar no infinito nas vezes em que o sono lhe fazia abrigo:
— Ah, como queria que estivesse ali...
07 outubro 2013
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