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08 outubro 2013

Sussurros ocultos — final

Acompanhe a parte 1.



Noite sem estrelas.

O peregrino quieto num canto, querendo voar.

O peito doendo, a alma sem pensar.

O vento em silêncio, silêncio...

Nenhuma palavra em pena escrita, sons da alma, mudas alegrias desditas.

Imaginou as constelações, meditou com o olhar.

O corpo gritou, transbordando vontade de volitar.

A ânsia de entender a cada respiração o mistério da vida batendo no coração.

O frio das distâncias e a pedra a machucar.

E então, o brilho nos olhos e sorriso nos lábios abriram a sintonia para algo a mais.

Ele voou em silêncio.

Seus gestos, a única linguagem:

— Ó, Astréia de Virgem, coroe minha viagem.

Sem resposta dos céus, sozinho, sem estrelas, o peregrino quis descer.

Mas abriu a alma e — êxtase — o conforto de um crepúsculo a lhe envolver.

A força de seu coração acordou estrelas.

Lembrou-se de seu caminho: a Francesa, a sereia, a fada do gelo, almas viajantes. Um anjo da luxúria.

— Nada é como antes.

Passos nas areias, muro, palácio, o portão fechado.

A flor do deserto, respirando no jardim.


— Tudo faz parte de mim.

Mesmo assim, nas alturas, o coração voltou a doer.

A essência querendo dizer:

— Dama etérea, recebe meu beijo. Venha fazer parte de mim.

Não havia glória na trajetória do peregrino para dividir.

Mas volitar no infinito nas vezes em que o sono lhe fazia abrigo:

— Ah, como queria que estivesse ali...


Os momentos que passou, as estrelas que viu, não saberia descrever.


Abriu os olhos.

Era um sonho.

O errante quis ficar tristonho.

A fonte daquele lugar ainda murmurava suas águas.

Igual ao seu coração.

Sede e silêncio de lábio e mente.

O peregrino, somente.

De volta o breu.

Expressão de saudade. O fogo queimando nos archotes.

— Tenho que seguir o que me revela o norte.

— Agora você entendeu — surgiu a fada, e sorriu. — Compreendeu o prazer de corpo e mente e coração.

Continuou:

— Engana-se em se achar solitário, meu perdido. A dama etérea está em seu silêncio, e faz parte de sua essência, corpo, alma, coração.

O peregrino sentiu o corpo queimar de prazer, alegria e vontades.

No céu, as estrelas voltaram a brilhar com saudade.

Disse, por fim, o anjo da luxúria.

— Agora, você deve seguir.



Não havia glória na trajetória do peregrino para dividir.

Mas volitar no infinito nas vezes em que o sono lhe fazia abrigo:

— Ah, como queria que estivesse ali...


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