27 agosto 2014
26 agosto 2014
Histórias das almas: a luz do peito — parte 1
De volta o peregrino
volitando sobre o mar.
Das ondas do sussurrar,
de repente, erguem-se vozes,
imagens — (miragens?),
em tom inocente:
"Das névoas abandonado,
mergulhe conosco.
Aguarda-lhe o reino
de Tritão."
— Afastem-se, seres das escamas.
Retornem ao abismo da lama.
— Meus umbrais são outros.
Devo assistir os mortos
de corpo, alma, coração.
Sou companheiro das
trevas e solidão.
— Não tenho reino,
apenas caminho
nos umbrais da vida.
Ando pelas eras,
ouvindo a névoa,
a longa noite.
"Tolo, olhe ao longe!
Os rostos que quer alcançar
já estão muito além de ti.
Não estenda as mãos."
O peregrino sentiu um aperto
no coração.
— Não...
"Quem se importa
com o seu sentir?"
Tristeza além
de qualquer frase.
"Apenas miragens..."
— Do abismo de mim,
sou íntimo.
E continuou a voar...
Rápido.
Rápido.
Rápido!
"Preste atenção em suas ilusões!"
Sobre o mar, iguais todos os rincões.
"Indiferença?
Compaixão?
Não fuja,
não tenha medo!"
No peregrino, silêncio.
De repente, ambos pararam.
Um apontar de tridente:
"O que é aquela luz?"
O peregrino, em tom solene:
— É o juramento patente
de um coração.
Além do horizonte, então,
outra cidade.
O errante voou,
querendo pisar o chão,
e deixando com saudade
das sombras o tritão.
†
Sobre um penhasco,
havia um bardo,
sozinho, calado.
— Por que está quieto?
O Universo está cheio de versos.
Que me importa o sopro do vento,
o orvalho na folha,
o canto dos pássaros?
— Diga-me então:
qual o seu Tártaro?
Não vê?
É o silêncio do coração.
— Dividiria comigo o seu conto?
Apenas palavras com
tom de sonho.
Por que lançá-las ao léu?
— Menestrel, a vontade
da alma deve ser dita.
Muito bem, amigo,
compartilho minha desdita...
†
Assinar:
Postagens (Atom)



