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10 junho 2015

O vale esquecido

Depois do bardo,
o silêncio da canção.

E logo então,
soprou o vento,
soprou o tempo...



Farfalhar no manto,
buscava o errante
o sentido distante.

Agora e sempre,
guardava silêncio.

Observava, compreendia —
meditava conhecimento,
intuía sabedoria.

Porque, no profundo caminhar,
a visão da alma.



No entanto,
tanto tempo
errando no escuro,
negro-éter mudo;

Apenas os passos e silêncio
por companhia...
Logo, sem perceber,
das sombras era vida.

— Onde o calor do dia?

Todavia,
o errante fechou os olhos.
Um respirar suave
flutuou a imagem:



— Saudades.

Paisagens a contemplar,
mas qual viajar traria
da compreensão o olhar?

Um profundo respirar
suspirou o coração.

(O jeito que olha,
o jeito que tenta não olhar.)

— Queria estar lá.

No céu, as estrelas a voar.


Ainda não entendia.
Através das sombras,
apenas via.

Era poesia,
tão somente.

Novamente
em versos perdido.
Sempre o infinito
do peito...

De si o desterro.
Desespero?

Além da dor,
seus atos apenas
sussurros.

Acólito das cinzas,
morto para o mundo.
Quis fechar feridas,
aplacar tumulto.

Procurou do sono
o túmulo.


Pensou o peregrino:

"Este é o vale esquecido?
A dimensão paralela,
onde as eras não sopram?"

Ainda mudo, porém,
quis olhar além,
sentir tal mundo.

Sutil, o riacho murmurava.
A relva perfumava
os passos. Pelos lados,
beleza discreta.


— Noite eterna...
A linha de sombra
delicada
no horizonte.

— Estrelas... flores da noite.
Luzes distantes...

(a alma em tormento)

— Ah, e como almejo
desenhá-la em versos meigos,
possui-la em mil desejos.
Sentir-se junto, em sossego.

Porém, naquele momento,
o peregrino sentiu,
sob a visão do luar...

Que, mesmo distante,
os astros orbitam-se
constantes,
a espantar o
vazio estelar.


E então, doce e triste
compreensão:

— Ainda sou escuridão.
...
Ele e as sombras um...


(Mas, no fim, sombra não havia,
porque, ao sentir, olhar, ouvir
da estrela o calor,
era a luz do dia.)


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