Depois do bardo,
o silêncio da canção.
E logo então,
soprou o vento,
soprou o tempo...
†
Farfalhar no manto,
buscava o errante
o sentido distante.
Agora e sempre,
guardava silêncio.
Observava, compreendia —
meditava conhecimento,
intuía sabedoria.
Porque, no profundo caminhar,
a visão da alma.
No entanto,
tanto tempo
errando no escuro,
negro-éter mudo;
Apenas os passos e silêncio
por companhia...
Logo, sem perceber,
das sombras era vida.
— Onde o calor do dia?
Todavia,
o errante fechou os olhos.
Um respirar suave
flutuou a imagem:
— Saudades.
Paisagens a contemplar,
mas qual viajar traria
da compreensão o olhar?
Um profundo respirar
suspirou o coração.
(O jeito que olha,
o jeito que tenta não olhar.)
— Queria estar lá.
No céu, as estrelas a voar.
Ainda não entendia.
Através das sombras,
apenas via.
Era poesia,
tão somente.
Novamente
em versos perdido.
Sempre o infinito
do peito...
De si o desterro.
Desespero?
Além da dor,
seus atos apenas
sussurros.
Acólito das cinzas,
morto para o mundo.
Quis fechar feridas,
aplacar tumulto.
Procurou do sono
o túmulo.
†
Pensou o peregrino:
"Este é o vale esquecido?
A dimensão paralela,
onde as eras não sopram?"
Ainda mudo, porém,
quis olhar além,
sentir tal mundo.
Sutil, o riacho murmurava.
A relva perfumava
os passos. Pelos lados,
beleza discreta.
— Noite eterna...
A linha de sombra
delicada
no horizonte.
— Estrelas... flores da noite.
Luzes distantes...
(a alma em tormento)
— Ah, e como almejo
desenhá-la em versos meigos,
possui-la em mil desejos.
Sentir-se junto, em sossego.
Porém, naquele momento,
o peregrino sentiu,
sob a visão do luar...
Que, mesmo distante,
os astros orbitam-se
constantes,
a espantar o
vazio estelar.
E então, doce e triste
compreensão:
— Ainda sou escuridão.
...
Ele e as sombras um...
†
(Mas, no fim, sombra não havia,
porque, ao sentir, olhar, ouvir
da estrela o calor,
era a luz do dia.)
†








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