Mais escuro.
O som das almas por vento, dentro do abismo a descer.
Apenas um único caminho, o eco lúgubre dos passos.
Mas não havia o peso do fardo, apenas a dança das sombras.
Sem muros, somente degraus.
De repente, tropeço. Mudança de direção. Escada a subir.
Só restava seguir.
A alma avessando, querendo entender.
Se bem ou mal, revirando o além.
Quase podia tocar o escuro, sempre o fundo de si.
— Até onde isto vai dar?
A resposta não demorou a surgir.
Logo, da entrada de uma caverna, a paisagem se abriu.
E, do alto, o peregrino viu.
Noite sem estrelas, montanhas sentinelas.
Vale florido, jardim de paraíso e, ao longe, clássicas colunas, escondendo um templo.
Beleza profunda, o ar em melancolia.
O peregrino sentiu calor.
— Pensava encontrar a dor.
— Ser perdido, seja bem-vindo.
Era uma voz baixa, quase um sussurro, que fazia uma fogueira em si nascer.
— Não sei quem és, mas eu queimo por você.
Ela pareceu flutuar até as costas do peregrino, suas palavras, próximas do ouvido, soando luxúria:
— Peregrino, eu sou o vento que alimenta a vela. O que a escuridão revela.
Fazia descer as costas de seus dedos pelos braços do errante, que mantinha a boca entreaberta, olhos fechados, sorriso de promessa, respiração de vontade:
— Eu estou em todos os lugares, eu estou em você, perdido dos caminhos. Eu sou o apelo silencioso, o olhar de calor, cheiros, desejos. Dos corpos, o movimento forte.
Ela ofereceu a mão pequena, macia ao toque. Dedos envolvidos:
— Vem comigo. Mostrarei o norte.
Suspiro, desceram, os olhos do peregrino querendo ver.
No meio do caminho, uma cadeira elétrica:
— Se procura a dor, tome seu assento.
— Não intento esta tortura.
— Junte-se a mim, das terras perdido. Meu mundo é diferente.
Mais instantes, e a grama acariciava os pés.
Havia uma fonte.
Aos montes, almas desnudas, correndo em volúpia.
Risos íntimos preenchiam o ar.
— O que tal lugar? Campos Elíseos? Dos deuses os escolhidos?
— Não obedeço as divindades, mas Eros também visita aqui.
O peregrino lembrou-se de Virgilio: "espera-lhe o caminho escuro".
— Não entendo. Por que seria escuro tal lugar?
— Ainda há aqueles que fazem sombra no prazer amar.
— Anjo da luxúria, sua voz agita o meu interior, como um caldeirão fervente.
— Então vem. Entregue-se de corpo e mente...
†
Breve, a continuação da saga.





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