O sino dobra o fim da tarde.
O sol morre, trazendo escuro.
Agora e sempre, o errante via espíritos a lhe sussurrar, nunca distante:
Não seja surdo para os sons do mundo.
Almas-sombras, seu sorriso um murmúrio.
Arrepio sob o capuz, o peregrino dói a mente, inquieto:
— Muito barulho, muito mundo, muita ilusão, muito ego!
Tolo! No papiro do universo, cada estrela escreve seu verso.
Cada qual com sua sede: nomes, mitologias, verdades, saudades.
— Feitos, desejos, destinos, caprichos.
O infinito dos caminhos, peregrino sem nome.
Ao olhar para o céu, exultou:
— Quando o dia morre, é a hora da poesia. As estrelas trarão a visita da musa. Antigos trovadores beberam de seu hálito.
Não há dores em tal hábito. Pode você sentir o vento?
— A noite da alma, a falsa calma. Não há lágrimas a secar.
O contento das almas não trazia do conforto o estado.
O peregrino novamente com vontade de voar, sentado.
A noite brilhava estrelas.
Sentimento de fardo para si, para o redor.
Tão só...
†
Ao redor, as almas continuavam a dançar.
— Eu ainda os ouço, espíritos, a sussurrar sombras em meu caminho.
Nós somos a névoa, peregrino. Nos umbrais da vida, deslizamos.
— Vocês têm a visão ofuscada pelo medo, raiva, ódio. Há apenas a realidade do que somos.
Cavalos com antolhos de suas próprias verdades.
E, quando da passagem, saudade. Sonhos na sombra.
Sorrisos invisíveis.
Choros sem lágrimas.
— Onde o fruto da árvore?
O seu deus morreu e ninguém se importa!
Apenas memórias...
Sem estreita porta, sem glória.
A fúria incapaz de obter paz.
Auto-cobranças sem nexo.
Vontade de sexo com o destino, até surgir o nada.
A fogueira a crepitar. O peregrino dividiu o silêncio de sepulcro.
De repente, um som doce surgiu:
"Alguém me chamou?"
E não era um murmúrio.
O peregrino arregalou o olhar:

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