Acompanhe a parte 1.
†
—Fata-Morgana, das almas o prazer. Murmuro-te meu bem-querer.
"Eu tenho asas, mas elas não podem bater apenas para você, peregrino."
"Entenda, eu sou do destino a vampira."
Respondeu o andarilho:
— Ando quase sem alma, nas sombras da vida.
"Seus passos solitários não encontrarão guarida."
Mesmo assim, o peregrino se embevecia.
Desejava de seu sorriso a poesia e o caminho aonde levaria.
Ela sorriu:
"Transforme-se tu em Arte."
— Morgana, mas o que é a Arte, se não a saudade de algo a mais?
— O toque das almas, abrir fundo o peito.
Em resposta, ela soprou um beijo.
E o errante não conseguia esconder — contemplava-a como eterna primeira vez.
Os olhos ternos de Morgana brilhavam diferentes, e o peregrino despertava a nascente em si.
Vontade de estar perto.
Sentir o perfume da pele, os versos do corpo.
A carícia dos cabelos, delicada.
Estar perto, enfim. E não no deserto de si.
O peregrino suspirou:
— Eu não tenho o sentir desta época.
Sem pressa, Fata-Morgana mordia os lábios, deliciando-se na espera.
Reflexo da boca, úmido-vermelho.
No peregrino, arder intenso.
— Fada do destino, nesta noite, eu não quero os incertos momentos, ao caminhar sob o lamento do vento.
— Suspiro pelo beijo do destino.
"Perdido..."
"Venha comigo sonhar proibido."
"Atravesse o oceano do destino, e venha comigo."
†
No tormento, águas qual espelho, o céu sangrento.
Sem unguento para as feridas da alma, da mão ao remo.
No barco fantasma, o peregrino remava.
Firme propósito, o mesmo de todos os homens, com ou sem nome.
Mas o céu mudava.
As ondas gemiam as almas:
— Eu não vejo nada!
A névoa como inimigo para o tom do espírito.
Respondeu o peregrino:
— O papiro de Astréia indica o caminho!
Porque a luz das estrelas lhe era proibida. Para cima, não podia olhar. Mesmo assim:
Dama etérea.
Na distância do corpo,
as palavras se fazem presentes.
Elas são instantes,
grãos do infinito,
pedaços de momentos,
notas do espírito,
instantes do sempre.
Acima, a constelação da dama etérea sorriu.
Quis abraçá-lo com o calor das estrelas, brilhar-lhe o cometa.
Porque, mesmo que apenas palavras não mudassem das sombras o mundo, aquele era um tom do sonho mais profundo...
†
No pergaminho, a tinta da alma brilhou.
As brumas terminavam de chorar.
O peregrino apertou o olhar. Sussurrou com o intenso de si:
— Qual a cor da vontade, da saudade, do beijo, do desejo?
No horizonte, a ilha...
†
No véu entre os mundos, flutuava Fortuna, a ilha de Fata-Morgana.
Porto seguro, reino de ninfas.
Imortais fadas, senhoras da vida, da vara de condão.
Mas ainda não!, que esta história será contada...
†



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