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10 fevereiro 2014

Fata-Morgana, das almas o prazer — parte 2

Acompanhe a parte 1.



—Fata-Morgana, das almas o prazer. Murmuro-te meu bem-querer.

"Eu tenho asas, mas elas não podem bater apenas para você, peregrino."

"Entenda, eu sou do destino a vampira."

Respondeu o andarilho:

— Ando quase sem alma, nas sombras da vida.

"Seus passos solitários não encontrarão guarida."

Mesmo assim, o peregrino se embevecia.

Desejava de seu sorriso a poesia e o caminho aonde levaria.

Ela sorriu:

"Transforme-se tu em Arte."


— Morgana, mas o que é a Arte, se não a saudade de algo a mais?

— O toque das almas, abrir fundo o peito.

Em resposta, ela soprou um beijo.

E o errante não conseguia esconder — contemplava-a como eterna primeira vez.

Os olhos ternos de Morgana brilhavam diferentes, e o peregrino despertava a nascente em si.

Vontade de estar perto.

Sentir o perfume da pele, os versos do corpo.

A carícia dos cabelos, delicada.

Estar perto, enfim. E não no deserto de si.

O peregrino suspirou:

— Eu não tenho o sentir desta época.

Sem pressa, Fata-Morgana mordia os lábios, deliciando-se na espera.

Reflexo da boca, úmido-vermelho.

No peregrino, arder intenso.

— Fada do destino, nesta noite, eu não quero os incertos momentos, ao caminhar sob o lamento do vento.

— Suspiro pelo beijo do destino.

"Perdido..."

"Venha comigo sonhar proibido."

"Atravesse o oceano do destino, e venha comigo."


No tormento, águas qual espelho, o céu sangrento.

Sem unguento para as feridas da alma, da mão ao remo.

No barco fantasma, o peregrino remava.


Firme propósito, o mesmo de todos os homens, com ou sem nome.

Mas o céu mudava.

As ondas gemiam as almas:

— Eu não vejo nada!

A névoa como inimigo para o tom do espírito.

Respondeu o peregrino:

— O papiro de Astréia indica o caminho!

Porque a luz das estrelas lhe era proibida. Para cima, não podia olhar. Mesmo assim:

Dama etérea.
Na distância do corpo,
as palavras se fazem presentes.
Elas são instantes,
grãos do infinito,
pedaços de momentos,
notas do espírito,
instantes do sempre.

Acima, a constelação da dama etérea sorriu.

Quis abraçá-lo com o calor das estrelas, brilhar-lhe o cometa.

Porque, mesmo que apenas palavras não mudassem das sombras o mundo, aquele era um tom do sonho mais profundo...


No pergaminho, a tinta da alma brilhou.

As brumas terminavam de chorar.

O peregrino apertou o olhar. Sussurrou com o intenso de si:

— Qual a cor da vontade, da saudade, do beijo, do desejo?

No horizonte, a ilha...


No véu entre os mundos, flutuava Fortuna, a ilha de Fata-Morgana.

Porto seguro, reino de ninfas.

Imortais fadas, senhoras da vida, da vara de condão.


Mas ainda não!, que esta história será contada...



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