O peregrino na estrada, sozinho consigo.
Cabeça baixa para o vento.
Suspirou:
— Não há perigo.
Sempre ao desabrigo do coração...
Perto, veio a lembrança do jardim secreto.
— O jazigo como último descanso?
No entanto, passo após passo em silêncio.
Na mente, momentos.
Ânsia de lembranças.
Paisagens transportadas no olhar.
Olhos ao céu:
— Queria voar.
À frente, o caminho infinito.
— Está em mim o conflito.
Silêncio na estrada, e nada mais.
Palavras de Fata-Morgana:
"Seu coração não encontrará guarida."
Ele apertou a mão no peito, e se forçou a caminhar.
Quieto, no deserto de si.
O dia claro em vida.
Além do céu, as estrelas continuavam a brilhar.
— Em algum lugar, hei de encontrar...
"Encontrar o quê, peregrino?"
Era uma árvore, em tom amigo. Corvos do destino em seus galhos.
"Vamos, converse comigo. Por acaso segue o caminho proibido?"
— Viajo sob o vento na pele.
"Mas não tem a sensação leve."
— Tão breve é o soprar do tempo...
"Se intenta um papiro para a vida, caminhante, não há."
— Engana-se. Não pranteio lamentos.
"Ouça: plante raízes no peito."
"Regue com a força da alma."
"Caminhe em calma, e não em dor."
"E — quem sabe? — quando sua copa estiver cheia..."
— Mas então por que você não tem folhas?
A árvore sorriu:
"Ora, não vê que o sol abriu?"
Nesse momento, o calor do céu brilhou em si.
— Da Yggdrasil filha, gostaria de voar sob a luz do dia.
"Apenas os do espírito volitam."
"Ela tem seu próprio vôo, peregrino. Estrela que brilha sob o hálito de Mithra."
"Leve-a no peito, acolha em sorriso do coração as batidas, e seja inteiro no caminhar."
— Forte. Inteiro...
"Agora, você deve ir, porque não tenho sombra para ti."
"Mas antes, diga-me: qual a sensação de volitar, peregrino?"
Ele sorriu.
— É como beijar o infinito.



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