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10 março 2014

A árvore e o caminho


O peregrino na estrada, sozinho consigo.

Cabeça baixa para o vento.

Suspirou:

— Não há perigo.

Sempre ao desabrigo do coração...

Perto, veio a lembrança do jardim secreto.

— O jazigo como último descanso?

No entanto, passo após passo em silêncio.

Na mente, momentos.

Ânsia de lembranças.

Paisagens transportadas no olhar.


Olhos ao céu:

— Queria voar.

À frente, o caminho infinito.

— Está em mim o conflito.

Silêncio na estrada, e nada mais.

Palavras de Fata-Morgana:

"Seu coração não encontrará guarida."

Ele apertou a mão no peito, e se forçou a caminhar.

Quieto, no deserto de si.

O dia claro em vida.

Além do céu, as estrelas continuavam a brilhar.

— Em algum lugar, hei de encontrar...

"Encontrar o quê, peregrino?"

Era uma árvore, em tom amigo. Corvos do destino em seus galhos.


"Vamos, converse comigo. Por acaso segue o caminho proibido?"

— Viajo sob o vento na pele.

"Mas não tem a sensação leve."

— Tão breve é o soprar do tempo...

"Se intenta um papiro para a vida, caminhante, não há."

— Engana-se. Não pranteio lamentos.

"Ouça: plante raízes no peito."

"Regue com a força da alma."

"Caminhe em calma, e não em dor."

"E — quem sabe? — quando sua copa estiver cheia..." 

— Mas então por que você não tem folhas?

A árvore sorriu:

"Ora, não vê que o sol abriu?"

Nesse momento, o calor do céu brilhou em si.

— Da Yggdrasil filha, gostaria de voar sob a luz do dia.

"Apenas os do espírito volitam."

Tão forte saudade, e a imagem da dama etérea, inspiração do poeta.


"Ela tem seu próprio vôo, peregrino. Estrela que brilha sob o hálito de Mithra."

"Leve-a no peito, acolha em sorriso do coração as batidas, e seja inteiro no caminhar."

— Forte. Inteiro...

"Agora, você deve ir, porque não tenho sombra para ti."

"Mas antes, diga-me: qual a sensação de volitar, peregrino?"

Ele sorriu.

— É como beijar o infinito.



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