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16 agosto 2013

Jardim de areia

Longe do lago, distante da sereia. Fora da floresta, caminho de pedra que depois virou areia.

O errante no deserto, sozinho consigo.


De repente, encontra algo, distante, lá longe:

— O que é aquilo?

Levanta a cabeça o peregrino e segue adiante.

Já era tarde quando chegou perto. Ao pousar a mão:

— Cerca viva. 

Espinho,

— Ai!, gota de sangue no chão.

Alto, quase não dava pra ver, impossível escalar.

Muro e palácio.

Viu uma grade de ferro:

— A entrada! — mas fechada.

— Onde a chave de tal lugar?

— Não há — veio a voz do muro, a sussurrar.

— Então como posso entrar?

— Não pode. Move-te, peregrino.

— Não sou inimigo.

— Tampouco é amigo.

— Estou sozinho.

— Não pode. Move-te.

— Estou cansado. Ao menos posso ficar ao lado?

— Não me importa o teu fardo.

No deserto, o crepúsculo trazia a corrente de frio.

— Aqui fora dos muros, o vento sopra diferente.

— Faça como os outros viajantes: aprenda a ficar contente.

Indignou-se o peregrino então:

— Como a felicidade em tal solidão?

Um sorriso no guardião.

— Tolo. Sua companhia é a gratidão dos caminhos. A serenidade na viagem. Cada passo, uma prece aos ventos. Não me pranteie lamentos.

— Ainda quero entrar — e raiva ao puxar as grades.

— Aprofunde seu espírito. Este jardim é para aqueles que aprenderam segredos e —

— E a viagem de meu degredo ainda não permite a entrada — completou com enfado o errante.

Mas não desistiu:

— Abra as portas, para que ao menos a essência do jardim se espalhe pelas areias.

— Não é necessário. Mesmo no deserto, o cacto solitário emite sua fragrância.

Inútil tentar. Restavam somente as longínquas distâncias de um entardecer.

E o peregrino disse adeus, contrariado em seu bem-querer.



Nas estrelas da noite, Astréia, serena, olhava para o protegido.

E soprou, em pensamento:

"Criança dos caminhos, apesar do andarilho dentro de vós, sempre distante e sozinho, mantenha o olhar sereno e profundo, tal como o marinheiro, no mundo sem descanso que é o mar.

Nas areias, também sopra a  intimidade com o obscuro de si. Tal imensidão não guarda por muito tempo pegadas.

Suas memórias dançam como o vento — ele sim conta as vidas dos que vieram."


Depois da mensagem, ele apenas guardou silêncio, sentindo diferentes impressões no caminhar... suspeitou, talvez a paz do lobo do mar.

Das estrelas, Astréia, deusa da constelação de Virgem, compadeceu-se.

Seu beijo veio, devagar, do infinito, até parar nos lábios do peregrino.

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