Ele estava depois da batalha.
Não havia mortalha para os caídos,
somente dos moribundos os gemidos.
Cansaço de corpo e alma...
No caminho dos campos,
o único ganho era a vida.
Seguia cabisbaixo e, no entanto,
esperança após a vermelha lida?
Era aparente a calma,
o silêncio dos mortos por companhia...
†
Anoitecia.
Via as sombras diferentes.
Elas sorriam feitiçaria deturpada.
E então, divina piada,
ergue-se a espada.
— Demônio do abismo,
o que quer de mim?
Cruzado, não sou inimigo.
Estou do seu lado.
— Errado. Não pedi que viesse a mim.
Deixe-me em paz. Não procuro do profundo o profano calor.
Por que sofres assim, homem da dor?
— Eu apaguei, da vela da vida, a chama.
Não há redenção para alguém assim.
As folhas murmuram sons pagãos:
"Irmão, venha junto na solidão."
Cruzado, ouça. Eu sou como tu.
Andei por muitos caminhos.
Tremi à beira do abismo e,
com a visão do paraíso,
sequei lágrimas.
Na dança macabra, derramei sangue,
mas não me arrependi.
Agora, eu tenho palavras,
eu tenho alma.
Eu tenho o que senti e vi.
— Eu vejo minha imagem em seus olhos negros.
Das coisas que vi, não procuro redenção,
procuro caminhar. Isto digo a ti.
— E o que resta para mim?
Não há redenção para o afligido.
Por que o tom de sonho perdido?
Tu já ouviste: olhe dentro de si.
— Para onde ir?
O caminhar do caminho
está nas estrelas, no vento,
no chão, nas cinzas.
Ame em si, pois
os seres divinos —
e as bestas do abismo —
são apenas homens.
— Tão somente homens...
No alto, além da terra, floresta, o cruzado sorriu.
E, quando o demônio sumiu,
ali, naquele instante, aprendeu a sentir
o olhar profundo como o infinito.
†
O metal que vestia era frio como a noite,
mas não havia desconforto.
Mesmo no escuro, via das árvores o contorno,
as sombras sorrindo para si.
— Deixe-me no sorriso ficar.
A dor do abismo é sobre cinzas caminhar.
Além, o ponto de luz.
Muito longe, acima das colinas,
o vento em saudade que conduz
a vontade do coração.
E então, a cada passo, determinação.
O cruzado começou a correr.



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