†
O som do vento...
O cão bebendo
a água do rio.
O vento frio
no pêlo molhado.
Ninguém ao lado,
desta vez.
— Talvez,
se aqui
a raposa estivesse...
Chacoalhando,
gotas na folha.
Orvalho.
Voz da coruja:
— Na relva, o orvalho
é a visão do passado.
Brilhou os olhos como o céu.
Quis ver, não conseguiu.
Sozinho ao léu.
Esparramou em gotas o rio.
†
Chovia.
Cada pingo trazia
lembrança e sorriso
daquele dia no rio.
E então,
olhos fechados,
batia o peito mais forte.
Era onde, sem perceber,
a raposa fazia toca.
O cachorro olhava
para a floresta e
se perguntava:
onde ela estava?
Mas não sabia dizer.
Peito doendo e sorrindo,
levava-a consigo.
†
O tempo passando,
os pêlos crescendo,
o vislumbre dos dias.
Logo, ele a sentia
no desabrochar da flor.
Na carícia do vento.
Pelos campos corria.
Sempre quieto,
ele a sentia.
O farfalhar das folhas,
companheiras dos passos.
Dormindo sob o tronco,
ela estava ao lado.
O murmúrio do riacho
acariciava o coração.
Suspirava pelo toque
de um momento.
Guardava silêncio...
†
Noite.
Seus olhos refletiam
os vaga-lumes.
E então, foi ali,
no silêncio de si,
que o cachorro descobriu —
Que o amor, o muito verdadeiro,
batendo bem fundo lá no peito,
está além do tempo.
Como o olhar de um momento.
Fechou os olhos.
Naquela noite, conseguiu voar.
— Agora, eu a posso
encontrar.
Não custa tentar.



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